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sábado, 4 de abril de 2026

The big bad fox, de Benjamin Renner - Opinião

Título original -
Le Grand Méchant Renard
Sinopse: Who's afraid of the Big Bad Fox? No one, it seems. The fox dreams of being the terror of the barnyard. But no one is intimidated by him, least of all the hens. When he picks a fight with one, he always ends up on the losing end. Even the wolf, the most fearsome beast of the forest, can't teach him how to be a proper predator. It looks like the fox will have to spend the rest of his life eating turnips.
But then the wolf comes up with the perfect scheme. If the fox steals some eggs, he could hatch the chicks himself and raise them to be a plump, juicy chicken dinner. Unfortunately, this plan falls apart when three adorable chicks hatch and call the fox Mommy.
Beautifully rendered in watercolor by Benjamin Renner, The Big Bad Fox is a hilarious and surprisingly tender parable about parenthood that's sure to be a hit with new parents (and their kids too).

Opinião:
Nenhum animal leva a raposa a sério e ela só queria comer algo que não fosse um nabo. O plano do lobo é aliciante e executável, pelo que a raposa vai em frente e levou os ovos consigo. O que a raposa não esperava é que os pintainhos a 
idolatrassem e vissem como a sua mãe, e com um laço tão forte, como poderá comê-los?
Eu achei este livro uma história cómica e adorável, que nos faz reflectir, com ilustrações bonitas e que apela tanto a crianças como a adultos. 
★★★★

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Saga, Volume 2 [Saga 2], de Brian K. Vaughan (Writer), Fiona Staples (Illustrator) - Opinião

Título original -
 Saga, Volume 2
Saga: Saga #2
Sinopse: Collecting the epic second storyline of the smash hit series Entertainment Weekly called "the kind of comic you get when truly talented superstar creators are given the freedom to produce their dream comic." Thanks to her star-crossed parents Marko and Alana, newborn baby Hazel has already survived lethal assassins, rampaging armies, and alien monstrosities, but in the cold vastness of outer space, the little girl encounters her family's greatest challenge yet: the grandparents.

Opinião:
Para dar continuidade ao volume I, lancei-me quase de imediato no volume II que continua a acompanhar a fuga da Alana e do Marco com a bebé Hazel. 
De modo inesperado, outros elementos da família entram na história e têm grande destaque: os pais do Marko. A trama intensifica-se, o ambiente fica tenso, uma vez que eles não vêm a relação "com bons olhos" e há muitas emoções no ar.
Ficamos também a conhecer Gwendolyn, a ex-noiva do Marko, que agora juntou-se ao The will para caçar o casal e a sua filha.
Gostei que parte da história tenha sido vista em forma de flashbacks para nos dar contexto histórico e mostrar a dinâmica da relação.
A arte continua muito interessante.
★★★

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Saga, Volume 1 [Saga 1], de Brian K. Vaughan (Writer) , Fiona Staples (Illustrator) - Opinião

Título original -
Saga
Saga: Saga #1
Sinopse: The sweeping tale of one young family fighting to find their place in the worlds. When two soldiers from opposite sides of a never-ending galactic war fall in love, they risk everything to bring a fragile new life into a dangerous old universe. Fantasy and science fiction are wed like never before in a sexy, subversive drama for adults.

Opinião:
Já há imenso tempo que tinha ouvido falar desta série de livros de graphic novels, periodicamente ainda vejo que alguém a anda ou andou a ler recentemente no feed de amigos do Goodreads. Este ano então rendi-me à curiosidade e optei por ler.
Esta é uma história de amor entre soldados de lados opostos de uma guerra, que começa logo com acção e drama, com um ritmo rápido e intenso. Não quis parar de ler e li tudo de uma assentada. 
As ilustração são complexas com cores giras. Sinto alguma dificuldade em exprimir-me acerca dos seres que surgem nas páginas, são originais e estranhos, por outro lado senti-me compelida a ver que outros seres iam surgir na trama.
★★★★


segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Guts [Smile 3], de Raina Telgemeier - Opinião

Título original -
Guts
Saga: Smile #3
Sinopse: Raina wakes up one night with a terrible upset stomach. Her mom has one, too, so it's probably just a bug. Raina eventually returns to school, where she's dealing with the usual highs and lows: friends, not-friends, and classmates who think the school year is just one long gross-out session. It soon becomes clear that Raina's tummy trouble isn't going away... and it coincides with her worries about food, school, and changing friendships. What's going on?
Raina Telgemeier once again brings us a thoughtful, charming, and funny true story about growing up and gathering the courage to face—and conquer—her fears.

Opinião:
Este terceiro e final volume da saga Smile - Guts - traz-nos a história de Raina, numa fase em que vive aflita, com constantes problemas/dores de barriga e com imenso medo de vomitar. 
Raina mais uma vez não desilude, ao trazer-nos novamente uma história com uma base bibliográfica. Desta vez, os principais temas abordados são ansiedade, medos e ataques de pânico, temas que acredito que muita gente vai-se identificar ou pelo menos, ficar a saber mais um pouco sobre eles.
Esta foi uma história de leitura rápida, que veio concluir a série/saga Smile. Finalizada a leitura, eu fiquei com a sensação que a autora quis mostrar às pessoas que estas situações podem acontecer, e que há ajuda disponível e mecanismos para lidar com a ansiedade.
★★★★

sábado, 24 de agosto de 2024

Sisters [Smile 2], de Raina Telgemeier - Opinião

Título original - Sisters
Saga: Smile #2
Sinopse: Raina can’t wait to be a big sister. But once Amara is born, things aren’t quite how she expected them to be. Amara is cute, but she’s also a cranky, grouchy baby, and mostly prefers to play by herself. Their relationship doesn’t improve much over the years, but when a baby brother enters the picture and later, when something doesn’t seem right between their parents, they realize they must figure out how to get along. They are sisters, after all.
Raina uses her signature humor and charm in both present-day narrative and perfectly placed flashbacks to tell the story of her relationship with her sister, which unfolds during the course of a road trip from their home in San Francisco to a family reunion in Colorado.

Opinião:
Li o primeiro volume desta série há uns meses, gostei e pensei para mim que tinha que ler o segundo volume em breve.
Neste livro acompanhamos a vida da Raina intercalando momentos do passado com momentos vividos no presente, com ênfase numa fase em que ainda era filha única e na qual dá as boas vindas à sua irmã, Amara, e com o passar do tempo, ao seu irmão Will, e no presente, quando a família vai de férias para uma reunião familiar.
Para o espanto da Raina, ela logo descobre que as coisas infelizmente não são como ela imaginou que seriam, mas eventualmente elas crescem, passam por imensas coisas juntas e acabam ficando mais próximas.
Com uma pitada de humor, uma série de peripécias e ilustrações bonitas, este livro fez-me pensar na minha irmã mais nova e trouxe memórias de situações semelhantes que passamos.
Uma coisa interessante que eu notei é que os dois livros não precisam ser lidos numa ordem especifica e também podem facilmente ser lidos como standalone. Venha o próximo.
★★★★

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Laura Dean keeps breaking up with me, de Mariko Tamaki, Rosemary Valero-O'Connell (Ilustrações) - Opinião

Título original -
Laura Dean keeps breaking up with me
Sinopse: Laura Dean, the most popular girl in high school, was Frederica Riley's dream girl: charming, confident, and SO cute. There's just one problem: Laura Dean is maybe not the greatest girlfriend.
Reeling from her latest break up, Freddy's best friend, Doodle, introduces her to the Seek-Her, a mysterious medium, who leaves Freddy some cryptic parting words: break up with her. But Laura Dean keeps coming back, and as their relationship spirals further out of her control, Freddy has to wonder if it's really Laura Dean that's the problem. Maybe it's Freddy, who is rapidly losing her friends, including Doodle, who needs her now more than ever. Fortunately for Freddy, there are new friends, and the insight of advice columnists like Anna Vice to help her through being a teenager in love.
Mariko Tamaki and Rosemary Valero-O’Connell bring to life a sweet and spirited tale of young love that asks us to consider what happens when we ditch the toxic relationships we crave to embrace the healthy ones we need.

Opinião:
Aqui vos deixo a opinião de um graphic novel que segue parte da vida de Frederica - Freddy - no ensino secundário. A Freddy tem uma relação on and off com a popular Laura Dean, o que além de afectar como ela se sente, começa a afectar também as suas relações com os seus amigos.
A adolescência pode ser uma fase conturbada e imensas vezes não conseguimos ou não queremos enxergar o que não está funcionando para nós. Foi exactamente isso que aconteceu com a protagonista e foi preciso errar diversas vezes para finalmente conseguir sair do ciclo vicioso em que se encontrava.
Uma das coisas que mais gostei, foi de ver o crescimento pessoal da Freddy ao longo da história. Ela passa de "viver para o relacionamento", para uma pessoa que se valoriza, se prioriza e com mais noção do que a rodeia.
Esta obra tem ilustrações bonitas predominantemente em tons de rosa, branco, preto e cinza, e aborda temáticas como relações tóxicas, amizades, decisões difíceis e amor-próprio.
★★★

domingo, 19 de maio de 2024

Smile [Smile 1], de Raina Telgemeier - Opinião

Título original -
Smile
Saga: Smile #1
Sinopse: Raina just wants to be a normal sixth grader. But one night after Girl Scouts she trips and falls, severely injuring her two front teeth, and what follows is a long and frustrating journey with on-again, off-again braces, surgery, embarrassing headgear, and even a retainer with fake teeth attached. And on top of all that, there’s still more to deal with: a major earthquake, boy confusion, and friends who turn out to be not so friendly. This coming-of-age true story is sure to resonate with anyone who has ever been in middle school, and especially those who have ever had a bit of their own dental drama.

Opinião:
Esta foi a minha estreia com a autora, Smile foi o primeiro graphic novel que eu li dela. A minha disposição pedia por algo leve, rápido e com uma temática diferente.
Uma queda aparatosa deu início a uma jornada ao encontro do sorriso perfeito. Foram muitos altos e baixos passados pela Raina, inúmeras visitas ao dentista que nem sempre tinha as melhores notícias para a menina, foi um processo moroso onde vários métodos foram tentados e a verdade é que aprendi umas coisinhas.
Gostei das imagens e da história, foi tudo uma jornada de auto descoberta, acompanhando os problemas comuns da adolescência e o crescimento pessoal da protagonista. Aconselho.
★★★★

terça-feira, 2 de maio de 2023

Boneca de luxo, de Truman Capote - Opinião

Título original - Breakfast at Tiffany's
Editora: Público
Sinopse: Em 1958, numa América ainda não imune ao espectro da guerra fria e já marcada por uma certa ânsia de transgressão, Boneca de Luxo parecia consubstanciar verdadeiramente o espírito da época e, ao mesmo tempo, propor uma filosofia de vida capaz de converter os modelos severos da moral puritana numa prática pura de alegria, da "irreflexão", da vitalidade.
Holly Golightly, a extraordinária protagonista, é uma rapariga alegremente avessa às convenções sociais e às conveniências, que se orienta nas sua opções por uma profunda moralidade, feita de solidariedade, de gestos generosos, de absoluta falta de malícia, e que, precisamente por isso, infringe as obtusas normas de moral burguesa. Com a pequena corte de indivíduos "esquisitos" de que se rodeia, constitui um núcleo que involuntariamente prefigura uma socialidade diferente, mais aberta e, afinal de contas, mais feliz. Mas o mundo que a circunda não aceita facilmente a sua ingénua atitude contra a corrente, e Holly será obrigada a pagar por isso: envolvida sem culpa numa questão de droga, acabará por se libertar, mas será abandonada pelo homem com quem estava para casar. E, todavia, o conformismo não triunfa, já que a rapariga parte, pronta a recomeçar a sua vida noutro lado, com uma carga vital quiçá acrescida.Divertido, fascinante, perfeitamente equilibrado do ponto de vista estilístico, este romance é, sem dúvida, a obra mais feliz e agradável da actividade literária de Truman Capote - apesar de estarmos na presença de um apaixonado e firme empenho de denúncia civil.

Opinião:
Este clássico já estava debaixo de olho há imenso tempo. Peguei nele com a expectativa de ter uma experiência literária distinta. É uma obra que foi muito badalada no século passado e ainda mais visível aquando da adaptação cinematográfica com Audrey Hepburn...até os dias de hoje eu nunca vi. Mais alguém desse lado ainda não viu? Se já viste, que opinião tens?
Voltando ao livro, eu fiquei desiludida. O bom é que a protagonista nem era tão reles assim, e até entendemos um pouco da sua história pessoal.
Eram expectativas demasiado altas e no final de contas, nem era o tipo de história que eu julgava que era.
★★★

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Herding Cats, de Sarah Andersen - Opinião

Título original -
Herding cats
Saga: Sarah's scribbles #3
Sinopse: Adjusting to life as a world-famous cartoonist isn't easy. Terrifying deadlines, piles of junk-food wrappers under a glowing computer screen, and an ever-growing horde of pets....umm, never mind--it's pretty much the same.With characteristic wit and charm, Sarah Andersen's third collection of comics and illustrated personal essays offers a survival guide for frantic modern life: from the importance of avoiding morning people, to Internet troll defense 101, to the not-so-life-changing futility of tidying up. But when all else fails and the world around you is collapsing, make a hot chocolate, count the days until Halloween, and snuggle up next to your furry beacon of hope.

Opinião:
Esta é uma obra de leitura rápida que me manteve entretida durante um bom bocado e conseguiu arrancar-me algumas risadas. Gosto do facto que explora situações do dia-a-dia, que nós tanto nos identificamos, as quais são ilustradas pela mão da Sarah Anderson. Acabei por me dar conta de que apesar desta ser a primeira obra que leio da autora, já tinha visto uma ou outra ilustração algures na Internet.
Achei particularmente interessante o facto da autora se abrir na parte final do livro, falando da sua própria experiência enquanto artista e algumas das suas dificuldades.
★★★★

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

The invisible lesbian, de Océanerosemarie, Murielle Magellan (Script), Sandrine Revel (Art and Colors) - Opinião

Título original - La Lesbienne invisible
Sinopse: Oceanerosemarie has been attracted to women since she was young. For some reason, no one believes she's a lesbian, not even other lesbians. Is she too feminine? She does love women, but she also loves lipstick and pretty flowery dresses. Going from a women's soccer club to the ultra-trendy nightclub "Le Pulp", she explores and decodes the stereotypes associated with lesbians, and she doesn't spare the heteros either!
A well-written, miles-away-from-the-usual-cliches, funny and compelling graphic novel.

Opinião:
Com o propósito de explorar um género literário que não me é muito familiar, optei por "the invisible lesbian". Se formos ver, na verdade é mais do que um género literário, uma vez que junta LGBT com graphic novel.
A primeira coisa que notei é que a arte da capa difere da arte do conteúdo da obra. Completamente. O que não é propriamente uma coisa má, mas um pouco inesperado. Porém devo dizer que achei que proporcionou bastante entretenimento.
Nesta obra, acompanhamos o crescimento da protagonista, a descoberta da sexualidade e da sua identidade sexual; de como ela se sente ao crescer enquanto lésbica. A certa altura, ela tem uma visão de si própria, da qual se considera como sendo uma lésbica invisível, da qual ninguém parece levar-lhe a sério no que toca à sua orientação sexual.
Ao longo da sua jornada, são diversas as situações representadas e algumas das quais descrevem estereótipos. Não entendo muito bem se será uma maneira das autoras tecerem uma crítica ou se acabam por estar a perpetuar.

No panorama geral, achei esta obra interessante, com diversos momentos de humor mas com um final abrupto.
★★★

sábado, 18 de julho de 2020

Como falar com raparigas em festas, de Neil Gaiman, Fábio Moon, Gabriel Bá - Opinião

Título original - How to talk to girls at parties
Editora: Bertrand Editora
Sinopse: Enn tem 16 anos e não compreende as raparigas, ao passo que o seu amigo Vic parece já ter tudo na ponta da língua. Mas ambos apanham o choque da sua vida ao depararem com uma festa em que as raparigas são muito mais do que aquilo que aparentam ser…

Opinião:
Os dois amigos Enn e Vic não poderiam ser mais diferentes, não apenas fisicamente mas também em termos de personalidade. Naquele dia iam para a festa da Alison, que tinham conhecido num intercâmbio de estudantes na Alemanha.

Os amigos logo perceberam que encontravam-se no local errado, e com isso, estavam numa festa que não tinham sido convidados. O que parecia ser uma típica festa era na verdade um passo no processo de conhecimento, uma vez que todos os presentes eram turistas.
Esta é uma breve história do conceituado Neil Gaiman num contexto de graphic novel, contudo não achei nada particularmente extraordinário. A arte é gira e a história teve um "twist" divertido, uma leitura breve para uma tarde em casa.
★★★

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Anya's Ghost. de Vera Brosgol - Opinião

Título original - Anya's ghost
Sinopse: Anya could really use a friend. But her new BFF isn't kidding about the "Forever" part. Of all the things Anya expected to find at the bottom of an old well, a new friend was not one of them. Especially not a new friend who’s been dead for a century.
Falling down a well is bad enough, but Anya's normal life might actually be worse. She's embarrassed by her family, self-conscious about her body, and she's pretty much given up on fitting in at school. A new friend—even a ghost—is just what she needs.
Or so she thinks. Spooky, sardonic, and secretly sincere, Anya's Ghost is a wonderfully entertaining debut from author/artist Vera Brosgol.

Opinião:
A minha estreia com a autora deu-se por acaso, nas sugestões do GR. Tinha lido recentemente "O azul é uma cor quente" e estava com disposição para mais uma graphic novel, pelo que a capa chamou-me a atenção e a sinopse captou o meu interesse.
O livro é bonito, a arte é simples mas entretente, composta por um background assim meio preto e branco, com muitas oscilações de cinzento e julgo que lilás, o que é bom, pois não nos distrai muito da narrativa, efeito que pode ser produzido com cores muito garridas. Abaixo segue o book trailer para espreitarem.
A Anya é uma estudante um tanto anti-social, desiludida com a vida que leva. Um dia, chateada, falta à escola para andar num parque, e cai num buraco. Ao fim de dois dias é encontrada mas não vem sozinha. 

Antes dela, já outra rapariga tinha caído no mesmo local sem nunca ter sido descoberta. Durante anos, o seu espírito permaneceu lá, ligado às suas ossadas. Por um acaso, é-lhe permitido sair e vir para o mundo, neste século. A Emily passa a ser a companhia de Anya e tornam-se amigas.
Pode-se dizer que a Emily veio melhorar a vida da Anya, em muitos aspectos. Ela realmente sentia-se mais feliz, confiante e realizada, sobretudo quando começou a ser notada pelo Sean. A
 sua amiga, Siobhan, tem opiniões divergentes relativamente ao moço, o que origina um desentendimento.
Achei tosco, virar as costas à única amiga que tem, por estar a alertá-la para a possibilidade de ele poder magoa-la, quando isso apenas demonstra afecto e preocupação. Talvez por ser uma adolescente, ainda não tem a capacidade ou discernimento para entender isso, vendo apenas a sua versão das coisas.
Para Anya, não importa, uma vez que tem uma nova amiga que aprova o Sean, e dispôs-se a ajudá-la (outra parvoíce, substituir a antiga amizade por algo novo). Como retribuição, a protagonista propõe investigar sobre o assassino, para que ela possa partir em paz.
A trama abrange temas como a necessidade de aceitação pelos colegas, principalmente quando as suas raízes são de tão longe, e correndo o risco de sofrer preconceito, a subsequente indispensabilidade, auto-imposta, de se encaixar nos padrões, o bullying, a inacção de mudar o seu percurso para se afastar do que é danoso.
Temos aqui outra situação daquelas que, nem tudo é o que parece. A solidão e o desejo de pertencer a algo, limita a visão das pessoas, e os predadores estão à espreita.
Eu achei bem creepy, a Emily desenvolver uma obsessão pelo que se passa na vida da Anya, parecia querer viver através dela. Foi bem inesperado e "deu uma agitada" na história.
Com a progressão da narrativa, nota-se um crescimento da personagem principal, o que aconteceu, fê-la parar, e em retrospecção, contribuiu para a aprendizagem de algumas lições de vida. Achei sobretudo bonito ela ter descoberto a empatia.
Talvez o final pudesse ter sido um pouquinho mais desenvolvido, mas não deixa de ser uma obra bastante envolvente, que devorei de uma vez.
★★★★ 

Book trailer

segunda-feira, 11 de maio de 2020

O Azul é uma cor quente, de Julie Maroh - Opinião

Título original - Le bleu est une couleur chaude
Editora: Arte de autor
Sinopse: Este livro conta-nos a história de Clementine, uma adolescente de 15 anos, que um dia se cruza na rua com um par de raparigas. Uma delas tem o cabelo pintado de azul e sorri-lhe. A partir desse preciso momento, tudo muda na vida de Clementine: a sua relação com os amigos na escola, a sua relação com a família, as suas prioridades... e sobretudo a sua sexualidade. Através de textos do diário da protagonista, o leitor acompanha o primeiro encontro de Emma e Clementine que tentam amar-se apesar das dificuldades implícitas na visão da homossexualidade por parte da sociedade e dos próprios preconceitos de Clementine.
É difícil saber o que é o amor e que aspecto assume, mas o amor entre as duas caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas dessa mesma relação.
Para além de ser uma obra premiada (teve, entre outros o Prémio do Público do Festival Internacional de Angoulême), O Azul é uma cor Quente é a BD que inspirou o filme A Vida de Adéle, de Abdellatif Kechiche, o qual ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, em 2013.

Opinião:

Quando a Clementine se cruza com uma estranha de cabelo azul, a sua vida muda. Tudo o que acreditava, tudo o que achava saber deixou de estar claro, levantam-se imensas dúvidas e crescem os sentimentos de confusão. Atravessar a adolescência é complicado, mais ainda se houver incertezas quanto à preferência sexual. 
Tomei conhecimento deste título através de uma votação num grupo do GR cuja temática recaiu sobre LGBT e ao ler a sinopse, soube que o ia ler mesmo que não fosse seleccionado. Foi assim que fiquei sabendo que foi adaptado cinematograficamente e inclusive foi galardoado em Cannes, então ver o filme é o próximo passo.
Esta foi a segunda graphic novel que li, se não estiver a contar com as leituras de manga. Toda a arte é composta em preto e branco, à excepção do azul que dá nome à obra. Talvez para ilustrar que a vida da protagonista era sem tonalidade, sem graça até se apaixonar, e depois a Emma tornou-se a cor que veio dar sentido aos dias da Clementine. 
A trama ocorre durante vários anos permitindo-nos assistir ao desenvolvimento da personagem central, o que é interessante de se acompanhar, uma vez que ela passa pela adolescência até se tornar adulta. Somos por isso testemunhas de todo um processo de auto-conhecimento, amadurecimento e a descoberta do amor. Por falar em amor, eu achei que a autora explorou-o de uma forma tão bonita, emotiva e real, mostrando verdadeiramente que o amor é para todos (obviamente). 
A família da Clementine, visivelmente incomodada, teve uma reacção abrupta e isso impactou grandemente a sua felicidade, que acabou por nunca se sentir realizada. Eu confesso, que me impressionou um pouco. 
Esse relato traduz a não aceitação que muitas pessoas estão sujeitas mas não é motivo para não perseguir a felicidade, e acho que essa é outra mensagem que a autora procurou transmitir.
Esta foi uma leitura rápida e envolvente, na verdade li-o todo de uma assentada, incapaz de o "largar".
★★★★


O filme adquiriu o título "La vie d'Adèle".

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Soppy, de Philippa Rice - Opinião

Título original - Soppy
Sinopse: True love isn’t always about the big romantic gestures. 
Sometimes it’s about sympathizing with someone whose tea has gone cold or reading together and sharing a quilt. When two people move in together, it soon becomes apparent that the little things mean an awful lot. The throwaway moments in life become meaningful when you spend them in the company of someone you love. 
SOPPY is Philippa Rice’s collection of comics and illustrations based on real-life moments with her boyfriend. From grocery shopping to silly arguments and snuggling in front of the television, SOPPY captures the universal experience of sharing a life together, and celebrates the beauty of finding romance all around us.


Opinião:
Quis incluir graphic novel no desafio de diversidade literária de 2018 pelo que o eleito foi Soppy. Nunca comentei este género mas vamos lá ter em conta que também não é algo que costumo procurar. Sem jamais ter ouvido falar da autora, a sinopse foi algo que apelou. 
Achei engraçado o facto das ilustrações serem basicamente tricolores, apresentandas em  preto, vermelho e (pronto) branco. 
A referência ao chá, de uma forma geral, parece não ter muito impacto junto do público português, pois isso é uma tradição que está mais enraizada na cultura dos ingleses. Quem nunca ouviu falar do "afternoon tea"? (risos)
Nesta obra são (contadas) ilustradas histórias do quotidiano, e creio que muita gente se identifica facilmente com as situações aqui relatadas. Vale a pena espreitar.