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domingo, 11 de janeiro de 2026

A criada [The housemaid 1], de Freida McFadden - Opinião

Título original -
The housemaid
Saga: The housemaid #1
Editora: Alma dos livros
Sinopse: Por trás de cada porta, ela consegue ver tudo.
«Bem-vinda à família», diz Nina Winchester enquanto me cumprimenta com a sua mão elegante e bem cuidada. Sorrio educadamente e olho para o longo corredor de mármore.
Este emprego caiu-me do céu. Talvez seja a minha última oportunidade para mudar de vida. E o melhor de tudo é que aqui ninguém sabe nada acerca do meu passado. Posso esconder-me e fingir ser aquilo que eu quiser. Infelizmente, não tardo a descobrir que os segredos dos Winchester são muito mais perigosos do que os meus…
Todos os dias limpo a bela casa dos Winchester de cima a baixo, vou buscar a filha deles à escola e cozinho uma deliciosa refeição para toda a família antes de subir e comer sozinha no meu quarto minúsculo no sótão.
Tento ignorar a forma como Nina gera o caos só para me ver limpar. Como conta histórias inverosímeis sobre a filha. E como o seu marido, Andrew, parece cada dia mais destroçado. Quando o vejo, e àqueles belos olhos castanhos tão tristes, é difícil não me imaginar no lugar de Nina. Com o marido perfeito, a roupa chique, o carro de luxo. Um dia, experimentei um dos seus vestidos só para ver como me ficava. Mas ela percebeu... e foi aí que descobri porque é que a porta do meu quarto só trancava pelo lado de fora...
Se sair desta casa, será algemada.
Devia ter fugido enquanto podia. Agora, a minha oportunidade desapareceu. Agora que os polícias estão na casa e descobriram o que está no andar de cima, não há volta atrás.
Estão a cerca de cinco segundos de me ler os direitos. Não sei muito bem porque não o fizeram ainda. Talvez esperem induzir-me a dizer-lhes algo que não devia.
Boa sorte com isso.
O polícia com o cabelo preto raiado de grisalho está sentado ao meu lado no sofá. Muda a posição do seu corpo entroncado sobre o cabedal italiano cor de caramelo queimado. Pergunto-me que tipo de sofá terá em casa. Não um, certamente, com um preço de cinco dígitos como este. Provavelmente de uma cor foleira como laranja, coberto de pelo de animais de estimação e com mais do que um rasgão nas costuras. Pergunto-me se estará a pensar no seu sofá em casa e a desejar ter um como este. Ou, mais provavelmente, está a pensar no cadáver lá em cima no sótão.


Opinião:
Decidi ler este popular livro com uma pessoa amiga, depois de tanto ouvirmos falar dele concordamos em lê-lo em conjunto.
O livro começa com uma mulher, Millie, à procura de trabalho urgentemente, uma vez que está praticamente sem dinheiro e a morar no carro. A oportunidade surge para uma posição de empregada de limpeza numa mansão, à qual pedem para cozinhar e pontualmente ajudar com a criança. Tudo isto parece maravilhoso, algo que ela consegue fazer e com um salário fenomenal e o melhor é que finalmente vai ter um quarto.
O emprego, a casa, os patrões Andrew e Nina são óptimos, tudo parece um sonho, que aos poucos vai-se revelando e tornando um pesadelo.
Este thriller psicológico deu que pensar mas por outro lado sempre ouvimos dizer nem tudo o que brilha é ouro e aqui está um belo exemplo. Na primeira parte fiquei com uma desconfiança de que era muito bom para ser verdade. 
Gostei de irmos conhecendo os personagens aos poucos e de ter mais do que um ponto de vista, o que nos permitiu conhecer a outra versão da história. Foi inesperado descobrir até que ponto as coisas tinham chegado e no geral gostei do livro.
Desiludiu-me a parte final do livro, algumas coisas não foram questionadas e pareceu um final preguiçoso.
★★★★

domingo, 26 de janeiro de 2025

The Labyrinth House Murders [The house murders 3], de Yukito Ayatsuji - Opinião

Título original -
迷路館の殺人
Saga: The house murders #3
Sinopse: The famed mystery writer Miyagaki Yotaro lives a life of seclusion in the remote Labyrinth House. When Yotaro invites four young crime authors to his home for a birthday party, they are honoured to accept. But no sooner have they arrived than they are confronted with a shocking death, then lured into a bizarre, deadly competition…
As the twisted contest gathers pace, murder follows murder. The ingenious sleuth Shimada Kiyoshi investigates, but can he solve the mystery of the house before all those trapped in its labyrinth are dead? And can you guess the solution before he does?

Opinião:
Este livro foi-me emprestado, não conhecia nenhum trabalho do autor mas a minha colega afirmou que pode ser lido como um standalone, assim como outros desta saga.
Um escritor famoso vive isolado e convida um grupo selecto de pessoas para celebrar o seu aniversário na sua Casa Labirinto. Uma morte inesperada dá inicio a uma competição sem igual, que desencadeia uma série de assassinatos e numa corrida contra o tempo.
Além do mistério da história, a casa em si é misteriosa e esconde segredos. Gostei muito de ler este livro, foi bem diferente do que tenho lido ultimamente.
Jamais me passou pela cabeça a revelação e o desfecho da história - o que é excelente neste tipo de livros.
★★★★

sexta-feira, 29 de maio de 2020

The ghostwriter, de Alessandra Torres - Opinião

Título original - The ghostwriter
Sinopse: Four years ago, I lied. I stood in front of the police, my friends and family, and made up a story, my best one yet. And all of them believed me.
I wasn't surprised. Telling stories is what made me famous. Fifteen bestsellers. Millions of fans. Fame and fortune.
Now, I have one last story to write. It'll be my best one yet, with a jaw-dropping twist that will leave them stunned and gasping for breath.
They say that sticks and stones will break your bones, but this story? It will be the one that kills me.
This book is not a romance. It is contemporary fiction, but very suspenseful in nature. It is about a famous romance author and a dark secret she keeps.


Opinião:
Deparei-me com esta obra por meio de um novo projecto português conjunto do qual participo, o Tearing Pages Book Club, iniciado este mês, que tem uma premissa muito interessante.
Resumidamente, há uma leitura mensal de um género eleito por nós, porém o título é escolhido pela administração, sendo por isso um elemento surpresa. Nós temos metas diárias de leitura que variam consoante o livro, e ao terminar, o pessoal reúne-se online para trocar ideias. As leituras serão maioritariamente de livros em inglês.
Helena Ross, popular autora best seller de romances, decide reformar-se e cancelar todos os projectos pendentes, para escrever o seu último livro. Com uma nova condicionante, o prazo inicialmente planeado é encurtado, e há imenso a ser tratado.
Como mulher independente e orgulhosa que é, Helena delibera o impensável e recorre a um ghostwriter. Decidida a iniciar imediatamente esse derradeiro projecto, ela não gosta, porém sabe exactamente quem está apto para o cargo.
Sendo eu uma pessoa mais virada para o campo da fantasia, é sempre revigorante ler um género literário diferente. Temos aqui um thriller e de uma autora que não conhecia, cujo foco parece estar no romance erótico. Li outras sinopses e existe a possibilidade de ler noutro estilo, futuramente.
A trama está escrita na primeira pessoa quando se trata de Helena e na terceira pessoa, para os restantes intervenientes. Nas passagens de Helena, frequentemente intercala-se a narrativa com o texto do seu livro, auto-biográfico, sobre a sua história de amor com o esposo Simon, e todos os anos que estiveram juntos. Concluída a leitura, achei que "the ghostwriter" não foi propriamente um título que se encaixasse bem, pois levou-me a pensar que seria o objecto central, e está longe disso.
Eu nunca tinha visto uma protagonista com tão mau feitio, uma pessoa intragável! Abandonada pelo pai, nunca se sentiu próxima à mãe psiquiatra, sentindo-se constantemente analisada. Com competências interpessoais bastante limitadas, foi surpreendente ler como encontrou o amor e como, com o tempo, encontrou redenção. A proximidade à revelação do segredo, a se libertar daquele fardo, permitiu-lhe abrir-se mais e aceitar que outros fizessem parte da sua vida.
Os pais são livres de educar os filhos à sua maneira, não existe O manual de parentalidade mas existem orientações. Compreendo que a Helena não era de muitos floreios nem histórias da carochinha, o que pode ser benéfico em alguns aspectos, já que a criança fica mais ligada à realidade, mas ela cruzou muitos limites! Sinceramente, eu fiquei pasma com conteúdos inapropriados para uma idade tão tenra.
O amor é complicado. Pode durar uma vida ou um sopro. Jamais, repito, jamais me passou pela cabeça o que viria a acontecer no livro! Todavia, foi exactamente isso que o tornou tão interessante. Após uma boa introdução e construção da história, achei parte do livro uma enrolação. Em retrospectiva, julgo que talvez fosse a tentativa da autora de humanizar a Helena.
Não tinha expectativas para este livro, que acabou por se revelar uma boa surpresa. Nenhum dos cenários que imaginei corresponderam à realidade, e no meu ver, esse é o elemento-chave desejado em thrillers.
★★★★

sábado, 2 de maio de 2020

Levaram Annie Thorne, de C.J. Tudor - Opinião

Título original - The taking of annie Thorne
Editora: Editorial Planeta
Sinopse: Uma noite, Annie desapareceu. Sumiu da sua cama. Houve buscas, apelos. Todos pensaram o pior. E depois, miraculosamente, após quarenta e oito horas, ela voltou. Pensou-se que não queria ou não conseguia dizer o que lhe acontecera.
Mas alguma coisa aconteceu à minha irmã. Não sei explicar o quê. Só sei que quando voltou, já não era a mesma. Não era a minha Annie. Não queria admitir de forma alguma que às vezes tinha um medo de morte da minha irmãzinha…
Agora…
O e-mail chegou à minha caixa de correio há dois meses.
Quase o apaguei de imediato, mas fiz clique para abrir:
SEI O QUE ACONTECEU À SUA IRMÃ. ESTÁ A ACONTECER DE NOVO.
Quando a minha irmã tinha oito anos, desapareceu… mas depois voltou. O pior dia da sua vida não foi quando a irmã foi levada… foi o dia em que ela voltou.

Opinião:
Descobri este livro devido a uma leitura conjunta de um grupo no Goodreads do qual sou integrante há alguns anos, o Read-along, que apesar da denominação inglesa, é inteiramente português, caso queiram se juntar. 

Apesar de não ter estado muito activa nos últimos meses, voltei a prestar mais atenção ao grupo, e confesso que muito se deve à nossa situação actual de quarentena devido ao coronavirus. É muito alarmante e verdadeiramente lamentável o número de vítimas, que até agora têm tendencialmente vindo a aumentar :'-( por isso vamos todos fazer a nossa parte e ficarmos em casa. Se por aí andam muito aborrecidos, sempre podem aderir a um dos desafios literários propostos.
O Joe foi atraído de volta a Arnhill por um email anónimo cujo autor afirma saber o que aconteceu com a irmã dele e disse que se está a repetir. Ele começa a dar aulas na escola local e vai morar no chalé onde foi perpetuado um crime brutal.
Após alguma investigação descobre que a criança que residia lá, teve igualmente desaparecida 48 horas, tal como a sua irmã Annie. Quando ela foi encontrada, não era mais a mesma.
A narrativa decorre no presente mas foca-se sobre o que aconteceu com a Annie, contado pelo Joe, então seguimos também os acontecimentos da sua juventude quando tudo se passou. São essas passagens que vão-nos elucidando acerca das relações interpessoais, os rancores, os medos, a bagagem dos personagens, o que realmente se passou há 25 anos e, mostraram que o passado jamais pode ser verdadeiramente enterrado.
A trama aborda temas variados como o desejo de aceitação social, o bullying, o alcoolismo, o vicio do jogo, e a impressão que cada um deixa na vida dos envolvidos. Contrariamente a outras obras, um aspecto que não esteve presente aqui foi o romantismo e a formação de casal, ficando no ar apenas uma nuance. Isto não é de todo uma crítica, julgo que as interacções foram satisfatórias, dando leveza à trama e sem desviar a atenção do leitor.
Apesar dos vícios, o Joe é uma personagem muito astuta, realmente fez toda a diferença, eu não teria imaginado aquelas descobertas no desfecho! Não achei que me fosse surpreender tanto com este livro mas foi o que aconteceu. A trama tomou outros contornos e ficou bem mais densa, não estava à espera que tivesse teor de horror. 
Gostei de ler este livro e das reviravoltas que tomou, fazemos juízos de valor e afinal nem tudo é o que parece. Recomendo.
★★★★

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